Wednesday, November 23, 2005

Gravatas

Depois de sucessivos escaldões nas orelhas derivado aos inúmeros comentários maliciosos e críticos sobre os nós das minhas gravatas, (já não chegava aos meus fatos, sempre fashions e na moda) decidi dar a mão à palmatória e recorrer ao Ancião do Século XXI, esse poço cheio da mais pura sabedoria, esse ancião chamado Internet. Questionei-lhe primeiro qual seria a previsão meteorológica para o dia seguinte, e aproveitando a “embalagem” pedi-lhe que me ensinasse a fazer um novo nó de gravata. Há falta de um, consegui uma dúzia deles, destacando-se três ou quatro nomes que fixei, pela insistência dos nomes pelo Ancião do Século XXI. Entre Windsor Knots, Half Windsor Knots, Normal Knots e French Knots, lá dediquei alguns minutes da minha vida em frente ao espelho com a gravata ao pescoço, ou pelo menos tentava. Como li uma vez, a solidão é o canal aberto para o pensamento, lá comecei a pensar no significado, e principalmente na serventia daquele bocado de trapo atado ao pescoço. Vieram-me inúmeras teses á cabeça enquanto ia insistindo no Nó Inglês.
Recorrendo ao quotidiano, deixo aqui uma pequena amostra das teses com que me deparei :

- Coleira Vs Gravata
A coleira é sinónimo de que um cão tem dono. Em alguns casos a coleira tem o nome do dono, contactos, e inúmeras informações sobre o seu utilizador, vulgo Cão. Com a gravata ao pescoço, pensei se eu também teria um dono, já que uso a gravata no trabalho e/ou em casamentos. A tese do dono faria algum sentido, no trabalho o meu dono acaba por ser o patrão, e num casamento, fazendo a analogia com um cachorro sem coleira fugindo da carroça, poder-se-ia dizer que estaria a dar a entender que tenho dono, e por isso o casamento não me apanharia. Esta tese foi contrariada quando procurei informações na gravata. Encontrei uma etiqueta que dizia “Made in Italy” e os meus pais nunca foram a Itália.

- Forca Vs Gravata
Outra das teses sobre o surgimento da gravata no mundo quotidiano, seria que algum condenado foragido à pena de morte, estaria a passar pela cidade ainda com a forca e corda cortada, alguém lhe terá dito “Essa corda ao pescoço fica-te a matar, era homem para usar também, mas não tenho aqui nenhuma” nisto rasga a manga da camisa ao estilo S.Martinho e dá um nó ao pescoço. Como o ser humano não pode ver nada, rapidamente se tornaria uma moda. Nesta altura o nó da moda seria o Nó de Forca.

- Importância da Marinha Vs Gravata
Considerando que o Mundo estaria em franca expansão em plena época dos Descobrimentos, a moda da gravata seria levada de continente em continente por portugueses e galegos. Dadas as longas viagens e com a falta de ocupação dos marinheiros, rapidamente os nós utilizados na marinha passariam a ser aplicados na moda da gravata. Aqui os nós adoptados seriam provavelmente o Nó Fiel, o Cunho ou até o Anete

- Tendências Gay Vs Gravata
Um homem que usa gravata não deixa de ter comportamentos Gay ou no minimo tradicionalmente femininos, senão vejamos:
Uma mulher tem por hábito conjugar as cores da mala com a dos sapatos e cinto, não descuidando os restantes adereços. Uma mulher todas as manhãs pensa, em que mala vai levar porque no dia seguinte quer levar uns Jeans. Ora a gravata entra no mundo masculino para começarmos a ter este tipo de hábitos. Vamos ter que conjugar a cor e padrão da gravata com as cores e padrão do fato. Se amanhã levamos fato escuro vamos ter de levar outra gravata, mas não estou nos meus dias, não vou levar uma muito colorida. Concluí que o inventor da gravata seria uma mulher. Por outro lado, o número de mulheres a usar gravata é muito reduzido sendo que dessas, 99% seriam mulheres fardadas.

Sedento de cultura geral, e já dominando inúmeros nós de gravata (amanhã vão ver, apareço já com um Windsor Knot) fiz nova questão ao Ancião do Século XXI, vulgo Internet, Net para os amigos mais chegados. E não precisam de me agradecer pela informação que vos passo de seguida :

A gravata não teve inventor. É verdade ! A gravata ou o que se parecia com uma, surgiu no antigo Egipto onde os homens cobriam o pescoço com um pedaço de roupa para marcar a sua posição social. Esta moda era notada também na China através do Imperador Shi Huang Ti, visível ainda nas suas estatuas, e também no Império Romano. Mas o verdadeiro conceito de gravata e origem do nome, surge na Europa em pleno Séc. XVII quando Louis XIV notou que os soldados Croatas usavam o pescoço coberto a que lhe davam o nome “CROATTA”, Louis XVII terá repetido CRAVATTE e ficou.
É no Séc. XIX que com os diversos valores e diferentes culturas, a gravata é colocada como simbolo de status e diferenciador de classe social, introduzidas cores e definido o corte em bico pela mão de Jessie Langsdorf de New York. Sim porque até aqui, tratavam-se de meras tiras de tecido enroladas ao pescoço.
No ínicio do século XX um grupo de feministas e porque as mulheres nunca querem ficar atrás, decidem que as mulheres também devem usar gravata, ou que pelo menos deveriam ter direito ao seu uso. Conquistam esse direito mas nunca teve muito sucesso.
Após a Segunda Grande Guerra, o mundo das gravatas sofre uma revolução e são estampados diversos padrões e imagens. Entre os anos 70 e 80 Marilyn Monroe aparece estampada em gravatas. E entre os anos 80 e 90 é onde as gravatas assumem as formas e padrões definitivos utilizados nos dias de hoje !

Resumindo : Com tanta tese e informação posso concluir que a gravata não passa de um bocado de trapo inútil mas que fica sempre bem e continua a abrir muitas portas !

Monday, November 21, 2005

A vida do meu gato

Ao fim de um Fim de semana passado na companhia de um gato que outrora terá sido meu, pelo menos durante uma semana.

Tudo começou quando a minha mãe ouviu uns miados na rua em plena cidade de Lisboa. Toda a gente sabe que miados na cidade são obra de ratazanas super inteligentes do tamanho de porcos que se deslocam sobre as patas traseiras e vestem robes bordeaux, para atrair cães vádios e fazerem dos pobres cães suas refeições. A revista “Super Interessante” já fez uma visão futurista do desenvolvimento destas ratazanas, que com o tempo passarão a ganir para atrair crianças, depois vão chorar para atrair adultos, acabando por dominar o mundo !!! O culminar desta evolução dar-se-á quando as ratazanas dos robes ocuparem apartamentos em condomínios fechados. Mas desta vez e consciente de todos os riscos que corria, a minha mãe investigou e deparou-se com um lindo gato preto, tratara-se de um gatinho abandonado pela mãe, (algum defeito ele havia de ter se nem a mãe o queria). Trazido pela mão da minha mãe este bicho chega até à minha casa onde é alvo de dois ou três banhos intensos e uma desparasitação, tornando-se amarelado. Preocupado se a agua oxigenada estaria na origem desta nova tonalidade, só descansei quando o veterinário garantiu que esta sim era a verdadeira cor do animal, não se tratando então de uma descoloração.
Acho que ficou mais feio, mas nem por isso menos parvo.
Este gatinho chamado daqui em diante por GATO, único nome que me consegui lembrar, enquanto a intensa pressão por parte da minha mãe e irmã no sentido de baptizar o animal. (Bloqueio com facilidade quando pressionado).
Agindo com os seus actos tresloucados e meio suicidas este gatachorro, sim este gatachorro, porque nada me tira da cabeça que este gato não tenha genes de cão. É a única justificação para as diversas lambidelas, a língua de fora e o seguir-me para todo o lado.
Com o passar do tempo evidenciam-se os genes, deparando-me inúmeras vezes com este gatachorro a ver televisão sentado com a língua de fora e a cheirar toda e qualquer coisa. De dia para dia, mais se parecia com um cachorro, mordendo-me com convicção ao invés de me arranhar. Aliás como ele fez questão de deixar bem esclarecido isso de arranhar era para gatinhos e gatinhas e ele era um gatachorro. O gatachorro Gato, via-se que gostava de mim, especialmente daquela vez em que dei com ele em cima da mesa a ronronar. Vibrava como nunca tinha visto um gato vibrar, tanta era a vibração que chegava a deslocar-se sem se mexer. Mais tarde tinha duas chamadas anónimas no meu telemóvel que estava em cima da mesa.
Este gatachorro cresceu e precisava de adrenalina na veia para se sentir realizado e até quem sabe encontrar a sua gatachorra. Troca o apartamento com vista sobre o Tejo e muda-se de unhas e bigodes para o litoral alentejano.
A ambientação correu da melhor maneira, idolatrando o “Gato das Botas Altas” no Inverno e o “Gato Maltês” este gatachorro continuava a viver com as patas cheias de lama no Inverno e o Verão sem tocar piano nos bailaricos veraneantes tradicionalmente alentejanos.

Algum tempo passou e o gatachorro cresceu e tornou-se num vigoroso Gatacão. Um Gatacão com forma de gato e tamanho de cão e com uma genética a resvalar fortemente para o lado canídeo. Nesta altura adopta o nome João, e já dá a pata e finge de morto. Ou pelo menos fingiu. Recordo aquele episódio quando eu estava descansado a ver televisão, enquanto o Gatacão João, escava vivamente pelas muitas almofadas a que eu estava encostado. Escavou, escavou, escavou até que desapareceu por completo, por debaixo das almofadas. Alguns minutos depois e estranhando o silêncio e calmaria que naquela sala se fazia sentir, e aproveitando o intervalo no filme, levantei todas as almofadas do sofá, onde deparo com um gato amarelado, de olhos fechados, barriga para cima e pernas esticadas. Passo-lhe a mão pelo pêlo e não há reacção. Toco-lhe e nada. Empurro-o e ele rebola hirte sem se mexer. Por esta altura a minha irmã entrava em pânico a gritar que eu havia matado o gato. Eu também !... Até que o João, estica-se, levanta-se e vai comer. Estou ainda para perceber se estaria hipnotizado com algum anuncio da Kit Kat ou se simplesmente estaria a gozar comigo. Se o estava, fê-lo com sucesso !
Nem só de glórias é feita a história deste gatacão chamado João, houve mesmo uma altura em que deixou de ser um gatacão para passar a ser um autêntico Cagatão. Tudo porque se terá atirado à comida de cão, (mais uma vez influência dos genes) que lhe haviam dado a volta à tripa, fazendo notar a sua presença por todos os cantos. Felizmente com uma breve passagem pelo veterinário de serviço e umas quantas colheres de antibiótico tudo se resolveu pelo melhor.
Hoje este Gatacão sai todas as noites, fazendo-se passear por terras de ninguém em busca da Gatadela da sua vida !

Thursday, November 10, 2005

Um dia no Aeroporto

Ora cá estou eu no relato de mais um dia da minha vida, levado com a adrenalina ao máximo.....ou não..!

7h30 : Saio de casa para mais um dia de trabalho !
8h00 : Chegada a Sintra, está frio! Passagem pelo 'Shoope' da Abrunheira para um café. Opto pela pastelaria do costume, onde reina a boa educação e disposição ! (Cambada de antipáticos !!! Se não fosse a unica espelunca a estar aberta as 8 horas eu dizia-lhes)
8h02 : Encontro com o Silva na mesma espelunca !
8h05 : Mesmo antes de eu ser atendido, a pastelaria acaba de perder mais um cliente, que vira as costas a resmungar sem sequer ser atendido !
8h07 : Tomo o café. Desta vez não entorno a chavena em cima de ninguém! Corre tudo bem !
8h20 : Chega mais um colega.
8h30 : Chega outro colega. Chego a conclusão que não precisam de ser simpáticos, toda a gente tem de ir lá beber café, detêm o monopolio das bicas da Abrunheira, podem dar-se ao luxo de ser arrogantes.
8h50 : Chegamos ao escritório.
Durante a manhã não posso precisar o que estive a fazer mas recordo-me que estive bastante ocupado e sobre uma grande pressão intelectual como tratar da adjudicação do aluguer de uma viatura ! É aqui que tudo começa ! Levantamento da viatura no Aeroporto da Portela marcado para as 16 horas.
14h30 : Aproveito a boleia para os lados do aeroporto, convicto que chegando uma hora antes do previsto não tenho que esperar. Afinal ainda há profissionais competentes como eu, por exemplo...!
15h00 : Chegada ao Aeroporto. Dirigo-me ao stand da Sixt, pelo caminho vejo um senhor a lutar com o vento. Sim com o vento, corria atras das folhas de um jornal que o vento lhe havia roubado das mãos. Aproveito para me rir um pouco da situação !
15h05 : Sou atendido
- Boa tarde, venho levantar uma viatura em nome de Rui Reis.
- Está marcado para as 16 correcto ?
- Está mas cheguei mais cedo.
- Deixe-me fazer um telefonema para ver se a viatura ja ca está !
...
Infelizmente a viatura só vai estar pronta perto das 16 horas conforme a marcação !

É algo que eu já esperava, combino que já passo por lá e vou dar uma volta pelas chegadas. Procuro passar o tempo da melhor forma, afinal ia passar uma 1 hora perdida pelo Aeroporto.
Penso em passear com ar de terrorista perigoso em frente a todos os policias e câmeras de vigilância, mas opto por tirar partido das novas tecnologias e procurar um hotspot.
Sinto-me um garipeiro dos tempos modernos que ao invés de procurar um veio com um detector de metais, procura um hotspot com um telemovel com wi-fi.
Encontro facilmente um hotspot tento-me ligar, ao menos estou a ler algum blog de elevado interesse cultural, as noticias, chatar no messenger, ou simplesmente fazer-me por um jovem de carreira promissora e extremamente ocupado. Não está facil o raio da maquina não se liga nem à lei da bala. Olho para o relógio e já lá vão 10 minutos. Olho para a direita, tenho uma idosa que não para de olhar para mim e para o telefone, sinto-me incomodado, mas acabo por ultrapassar a situação. Continuo a tentar a ligação, quando sou interrompido pela enorme barulheira. Levanto a cabeça, observo, entro em pânico !! Alguns 50 Havaianos e Havaianas (não são os chinelos) todos munidos com os seus colares de flores a vir na minha direcção ! Entre umas 200 cadeiras vazias, das quais apenas umas 10 estavam ocupadas, a opção deles foi exactamente sentarem-se todos à minha volta !! Tremo com receio que venham colocar um colar ao meu pescoço, imagino-me a voltar ao stand de fato e gravata e com um colar de flores !! Não gosto da ideia !
O tormento acaba e lá se vão embora seguindo alguém que corre com uma folha A4 bem levantada.
Continuo sem me conseguir ligar.
Oiço máquinas fotográficas ! Muitas ! Aproximam-se ! Levanto a cabeça ! Entro em pânico novamente ! 30 chineses aos saltos fotografam tudo e mais alguma coisa, desde caixotes do lixo até cadeiras, passando por mim que também fui alvo das objectivas ! Foi o ponto alto da tarde senti-me um VIP.
Finalmente o telefone liga-se à Internet !! Posso começar a navegar ! Dou uma checkada ao relógio e são 15h50 ! Dasse ! Tá na hora !
Acabo por não navegar nada e volto ao Stand da Sixt, sem o colar de flores, a viatura está pronta. Assinatura para um lado rúbrica para outra..
-Sr. Rui diriga-se ao outro balcão e entregue este documento para levantar a viatura.

Chego ao outro balcão. Estão dois colaboradores para 3 guichets.
Entrego o documento.
-Sr. Rui não está aqui ninguém !
-Ah ok é neste guichet ao lado ?
- Não não ! Não está aqui ninguém para lhe entregar a viatura ! Tem de ir ao outro balcão da Sixt, lá em baixo e entrega este documento.

O Aeroporto afinal é composto de stands da Sixt !
Chego lá finalmente, apesar de escolher o caminho mais longo para la chegar !
Entrego o documento.
- Sr. Rui, tem pressa ? Falta lavar a viatura, quer aguardar um pouco ? Fizemos um upgrade ao seu contrato, vai levar uma viatura de uma classe superior.
- Ok Ok eu aguardo.

Espero 10 minutos.
-Sr. Rui, quer vir ver a viatura ? Acho que afinal não está suja e não precisa de ser lavada !
(fiquei 10 minutos a secar para nada !)

Caminho para ver a carrinha pequena. levanto a cabeça e entro em pânico !
A viatura pequena foi alvo de um super upgrade e transforma-se naquilo que me parece uma âmbulancia do INEM ! Uma porcaria de um autocarro, um camião !!
Pergunto se a carrinha consegue sair do parque ao que recebo a resposta :

-Parece que não passa, mas passa. É apertado mas tem ali um ângulo em que ela passa bem.
Acabo por me sentir gozado com a resposta, mas tudo bem. Avanço confiante para o volante. Demoro uns 5 minutos a fazer uma simples e primeira curva dentro do parque mas consigo não bater em nada. Desconfio que os arrumadores do rent a car ainda se estão a rir...

Volto para o escritório pelo IC19 onde encontro 6 âmbulancias exactamente iguais.
Hoje senti-me um maqueiro a fugir para o camionista !!!

Wednesday, November 02, 2005

Véspera de feriado...com muita trapalhada !!

Véspera de Feriado ! 21 horas e ainda no trabalho !

- "Reis fazes alguma coisa hoje ?"
- "Epah agora que perguntas, lembro-me que não faço nada !"
- "Queres fazer alguma coisa ?"
- "Desde que seja soft alinho em qualquer coisa, vou para casa depois diz-me qualquer coisa"

Casa banho jantar, e toca o telefone,
-"Reis queres ir ver um filme?"
-"Olha não era má ideia, um cinema era muito fixe"
-"Ah queres ir ao cinema ? Então espera !"

Entre algumas trocas de impressões via MSN toca o telefone outra vez:
-"Reis, estás despachado ?"
-"Claro"
-"Daqui a meia hora no Cascais Shopping consegues ?"
-"Isso é muito em cima da hora, tenho que acabar de me despachar. Mas ok Conta comigo"

Saio de casa no "pirilampo" e faço-me a estrada, telefonema para troca de coordenadas e esclarecer mal entendido do trapalhão de serviço. Mudança de planos e de destino, próxima paragem Oeiras (há correspondência com a praia de Carcavelos) !
Horario cumprido ! Chego ao mesmo tempo do Ibiza !

Mais uma vez o trapalhão de serviço faz das suas, estaciona junto à porta a pensar que é mais esperto que os outros ! Recebo telefonema :
-"Onde estás ?"
-"Duhhh, mesmo à porta !! E tu ?"
-"Então pega no carro e vai para a parte amarela, é melhor para sair do cinema !!"

5 minutos passam, desta vez sou é que telefono !!
-"Silva estas a brincar comigo ? Ja dei 2 voltas ao estacionamento Amarelo e não vos vejo!!"
-"Estaciona ! Estas mesmo ao pe de mim, ja passaste por mim 2 vezes"
-"Ah !! Desculpa!!"

Ultrapassados os encontros e desencontros dessa aventura que é estacionar o carro lá nos encontramos ja no 1º andar do "Shoppe". Café, Cinema, Gelado ? ou Gelado, Cinema Cafe ? ou Cinema Cafe Gelado ? ou porque não Cinema Gelado Cafe ? Ficou Bilhetes Gelado Cinema !
1º Erro !! Um homem trabalhador não aguenta muito tempo sem a maldita cafeina !!! 1 Chavena de café equivale a 20% de Bateria !

A escolha do filme corre sem problemas de maior, comum acordo entre os 4 ! O mesmo se passa com a compra dos bilhetes que corre sem problemas até ao momento em que eu peço os bilhetes :

"Boa noite, Virgem aos 40..."
Ainda não consegui perceber a gargalhada da funcionária do cinema assim como das aproximadamente 20 pessoas que me ouviram, e em seguida me olharam de alto a baixo.
"Ainda ouvi comentários do tipo "coitado ! Não sabes o que perdes" "Mas jã tem 40 anos ?" etc..
Após a interrupção lá continuei "...são 4 bilhetes para trás!"

Fomos a caminho dos gelados, dos 4 eu era o único que não sabia desse pormenor, até porque contava com os gelados das Docas !! Fui esclarecido que nesse dia os gelados seriam no "Shoppe". Senti-me um bocado corno, mas ultrapassei isso ao descer as escadas rolantes.

Chegamos aos gelados, e havia mais de 20 sabores à escolha. Já me deviam conhecer o suficiente para saber que eu ando a resvalar um pouco para o indeciso ! Quanto mais variedade, pior é a escolha, talvez seja esse o motivo pelo qual desde que tenho TVCabo nunca mais consegui ver TV.

Todos escolhem, fico para o fim, e tenho ainda a infelicidade de comentar "Apetece-me algo mais refrescante !!". Atiro-me para os verdes ! Menta e Limão !! Mas quem é que escolhe a porcaria do Limão para um gelado ???? Isso explica o facto da covete do limão estar completamente cheia.
Provo o gelado da Márcia, Yogurt de frutos silvestres e Bueno. Combinação absolutamente fantástica, não dei parte fraca e disse "Come-se!"
Após muito reclamar de ter a boca completamente ácida da porcaria do gelado "super refrescante" de limão, e ver toda a gente com um sorriso de orelha a orelha de pura satisfação gustativa, acabo finalmente o gelado muito depois de todos !!
Entre Beagles, Mini York Shires e Gatos Persas é meia noite. Voltamos a subir para as salas de cinema. Elas lembram-se de comprar pipocas, e eu, qualquer coisa para beber !
Separamos-nos, 1,80€ uma garrafa de Sumol, meto uma simples moeda de 2€ na estupida da máquina que me deveria dar uma misera moeda de 0,20€ e uma garrafa supostamente verde !
Mas não ! Meti a moeda, a máquina devolveu a moeda, voltei a introduzir ela voltou a devolver, repetido o processo mais de 10 vezes, sou surpreendido por um colaborador da Lusomundo.
"-Precisa de ajuda?"
Primeiro pensamento : "Terei cara de estupido ? Um simples processo de tirar uma garrafa da maquina e vêm-me perguntar se preciso de ajuda ?"
Respondo : - "Não !!.......A máquina não aceita a moeda !"
Depois do colaborador desmontar a máquina toda consigo finalmente a garrafa. Ninguém se apercebe da situação e o caso fica abafado.
Caminhamos para a sala 7 onde um casal tenta inocentemente entrar para a mesma sala, mas pela porta de emergência do cinema ! Não comentei, afinal podiam ir ver alguma ante estreia de um filme com a história de uma corporação de bombeiros e era minimamente original que a porta do cinema tivesse o aspecto de uma porta de emergência (fica a dica de um recente profissional de marketing).
Começa o filme, 20 minutos depois os homens adormecem !!

Moral da história : Da próxima vez deixem-me beber um meu café ! ok ?!