Monday, November 21, 2005

A vida do meu gato

Ao fim de um Fim de semana passado na companhia de um gato que outrora terá sido meu, pelo menos durante uma semana.

Tudo começou quando a minha mãe ouviu uns miados na rua em plena cidade de Lisboa. Toda a gente sabe que miados na cidade são obra de ratazanas super inteligentes do tamanho de porcos que se deslocam sobre as patas traseiras e vestem robes bordeaux, para atrair cães vádios e fazerem dos pobres cães suas refeições. A revista “Super Interessante” já fez uma visão futurista do desenvolvimento destas ratazanas, que com o tempo passarão a ganir para atrair crianças, depois vão chorar para atrair adultos, acabando por dominar o mundo !!! O culminar desta evolução dar-se-á quando as ratazanas dos robes ocuparem apartamentos em condomínios fechados. Mas desta vez e consciente de todos os riscos que corria, a minha mãe investigou e deparou-se com um lindo gato preto, tratara-se de um gatinho abandonado pela mãe, (algum defeito ele havia de ter se nem a mãe o queria). Trazido pela mão da minha mãe este bicho chega até à minha casa onde é alvo de dois ou três banhos intensos e uma desparasitação, tornando-se amarelado. Preocupado se a agua oxigenada estaria na origem desta nova tonalidade, só descansei quando o veterinário garantiu que esta sim era a verdadeira cor do animal, não se tratando então de uma descoloração.
Acho que ficou mais feio, mas nem por isso menos parvo.
Este gatinho chamado daqui em diante por GATO, único nome que me consegui lembrar, enquanto a intensa pressão por parte da minha mãe e irmã no sentido de baptizar o animal. (Bloqueio com facilidade quando pressionado).
Agindo com os seus actos tresloucados e meio suicidas este gatachorro, sim este gatachorro, porque nada me tira da cabeça que este gato não tenha genes de cão. É a única justificação para as diversas lambidelas, a língua de fora e o seguir-me para todo o lado.
Com o passar do tempo evidenciam-se os genes, deparando-me inúmeras vezes com este gatachorro a ver televisão sentado com a língua de fora e a cheirar toda e qualquer coisa. De dia para dia, mais se parecia com um cachorro, mordendo-me com convicção ao invés de me arranhar. Aliás como ele fez questão de deixar bem esclarecido isso de arranhar era para gatinhos e gatinhas e ele era um gatachorro. O gatachorro Gato, via-se que gostava de mim, especialmente daquela vez em que dei com ele em cima da mesa a ronronar. Vibrava como nunca tinha visto um gato vibrar, tanta era a vibração que chegava a deslocar-se sem se mexer. Mais tarde tinha duas chamadas anónimas no meu telemóvel que estava em cima da mesa.
Este gatachorro cresceu e precisava de adrenalina na veia para se sentir realizado e até quem sabe encontrar a sua gatachorra. Troca o apartamento com vista sobre o Tejo e muda-se de unhas e bigodes para o litoral alentejano.
A ambientação correu da melhor maneira, idolatrando o “Gato das Botas Altas” no Inverno e o “Gato Maltês” este gatachorro continuava a viver com as patas cheias de lama no Inverno e o Verão sem tocar piano nos bailaricos veraneantes tradicionalmente alentejanos.

Algum tempo passou e o gatachorro cresceu e tornou-se num vigoroso Gatacão. Um Gatacão com forma de gato e tamanho de cão e com uma genética a resvalar fortemente para o lado canídeo. Nesta altura adopta o nome João, e já dá a pata e finge de morto. Ou pelo menos fingiu. Recordo aquele episódio quando eu estava descansado a ver televisão, enquanto o Gatacão João, escava vivamente pelas muitas almofadas a que eu estava encostado. Escavou, escavou, escavou até que desapareceu por completo, por debaixo das almofadas. Alguns minutos depois e estranhando o silêncio e calmaria que naquela sala se fazia sentir, e aproveitando o intervalo no filme, levantei todas as almofadas do sofá, onde deparo com um gato amarelado, de olhos fechados, barriga para cima e pernas esticadas. Passo-lhe a mão pelo pêlo e não há reacção. Toco-lhe e nada. Empurro-o e ele rebola hirte sem se mexer. Por esta altura a minha irmã entrava em pânico a gritar que eu havia matado o gato. Eu também !... Até que o João, estica-se, levanta-se e vai comer. Estou ainda para perceber se estaria hipnotizado com algum anuncio da Kit Kat ou se simplesmente estaria a gozar comigo. Se o estava, fê-lo com sucesso !
Nem só de glórias é feita a história deste gatacão chamado João, houve mesmo uma altura em que deixou de ser um gatacão para passar a ser um autêntico Cagatão. Tudo porque se terá atirado à comida de cão, (mais uma vez influência dos genes) que lhe haviam dado a volta à tripa, fazendo notar a sua presença por todos os cantos. Felizmente com uma breve passagem pelo veterinário de serviço e umas quantas colheres de antibiótico tudo se resolveu pelo melhor.
Hoje este Gatacão sai todas as noites, fazendo-se passear por terras de ninguém em busca da Gatadela da sua vida !

2 Comments:

Blogger Marcia&Laura said...

Isso é que é uma vida de gatacão! Só tu para tomares conta de uma espécie rara em vias de aparecimento!! Pode ser que um dia se generalize este cruzamento de genes entre cães e gatos e poderás orgulhar-te de ter sido o primeiro a possuir um exemplar dessa espécie e, ainda por cima, a descrever os seus comportamentos.Um dia hás-de ser famoso (entre sacos de expressos, expositores, teses acerca de bolas de berlim, um dia encontrarás a via da celebridade!!).

Um abraço...

Laura

12:58 PM  
Blogger Marcia&Laura said...

nem comento...és mesmo palerma...txiiii, vergonhoso...:P :P

márcia

6:09 AM  

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